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	<title>congresso &#8211; Four Soluções</title>
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	<description>Gestão de Contabilidade</description>
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	<title>congresso &#8211; Four Soluções</title>
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		<title>Congresso derruba veto à desoneração da folha de 17 setores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wilian Sales]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2020 18:39:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2020/11/congresso-nacional-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" srcset="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2020/11/congresso-nacional-150x150.jpg 150w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2020/11/congresso-nacional-85x85.jpg 85w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2020/11/congresso-nacional-80x80.jpg 80w" sizes="(max-width:767px) 150px, 150px" /><p>O Congresso Nacional derrubou nesta quarta-feira (4) o veto do presidente Jair Bolsonaro à desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da economia, como empresas de comunicação, de tecnologia da informação, transporte coletivo urbano rodoviário e metroviário, construção civil e têxtil, entre outros.</p>
<p>Na Câmara dos Deputados, foram 430 votos a 33 a favor da derrubada. No Senado, foram 64 votos a 2. Agora, os trechos vetados serão promulgados para sua inclusão na <a class="linkLegislacao" href="https://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/2020/lei-14020-6-julho-2020-790388-norma-pl.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Lei 14.020/20</a>, oriunda da Medida Provisória 936/20.</p>
<ul>
<li><a href="https://www.congressonacional.leg.br/materias/vetos/-/veto/detalhe/13405/24" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Confira como votou cada parlamentar</a></li>
</ul>
<p>Devido ao uso de sistemas de votação diferentes, Câmara dos Deputados e Senado realizam sessões do Congresso em momentos separados.</p>
<p><strong>Acordo</strong><br />
O líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), destacou a construção de um consenso sobre a derrubada do veto. Para Gomes, a medida vai ajudar na retomada da economia.</p>
<p>A oposição, por outro lado, ressaltou a pressão social pela medida e considerou que houve derrota da equipe econômica do governo.</p>
<p>O senador Eduardo Gomes ressaltou, no entanto, que a prorrogação da desoneração da folha é resultado de um acordo com méritos à oposição e ao governo. “Todos nós enxergamos a necessidade da derrubada do veto da desoneração, senão não teríamos acordo”, disse.</p>
<p>Gomes afirmou ainda que a desoneração, que resulta na menor arrecadação de impostos pelo governo, requer um cenário de equilíbrio econômico, sinalizado com a aprovação da autonomia do Banco Central pelo Senado e outras matérias. “No bojo do acordo da desoneração, vem a manutenção de vetos importantes que estabelecem o mínimo rigor fiscal que o governo tem que ter”, afirmou.</p>
<p><strong>Impacto econômico</strong><br />
O governo estima que a desoneração, prorrogada até 31 de dezembro de 2021, deve custar cerca de R$ 10 bilhões aos cofres públicos. O mecanismo permite que as empresas paguem alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha de salários. Segundo representantes do setor empresarial, a desoneração ajuda a manter cerca de 6 milhões de empregos.</p>
<p>Entretanto, os parlamentares mantiveram o veto a trecho que aumentava, em 1 ponto percentual, a alíquota da Cofins-Importação pelo mesmo período incidente nos produtos importados concorrentes daqueles fabricados pelos setores desonerados com a contribuição sobre a folha. Esse aumento está relacionado à equivalência tributária de tratamento entre produtos nacionais e importados.</p>
<p>Assim, os produtos importados terão esse tributo menor, atingindo principalmente produtos têxteis e calçados.</p>
<p>Para o deputado <a href="https://www.camara.leg.br/deputados/204556" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Marcelo Ramos (PL-AM)</a>, a prorrogação da desoneração da folha tem um custo fiscal bem menor do que o desemprego. “O que gera perda de receita para a União é a retração da atividade econômica de setores que empregam muito e que recolhem muito imposto. Isso, sim, gera comprometimento da Receita”, disse.</p>
<p>Ramos também destacou a formação do acordo sobre o tema, que tinha inviabilizado a realização de outras votações no Congresso. “No <em>timing</em> correto, no limite do prazo, forçou o acordo de praticamente todos os setores desta Casa, no sentido não de garantir uma vitória ou uma derrota ao governo, mas de garantir o emprego dos brasileiros. Isso é muito maior do que as nossas disputas internas. Isso é muito maior do que as nossas diferenças”, afirmou.</p>
<p>O senador Major Olímpio (PSL-SP) também celebrou a derrubada do veto. &#8220;A desoneração da folha é mais que uma necessidade. Vai se manter a dignidade, o emprego para 6,5 milhões de trabalhadores nas áreas que mais empregam no nosso País”, disse.</p>
<p>O deputado <a href="https://www.camara.leg.br/deputados/204404" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Lucas Redecker (PSDB-RS)</a> avaliou que a derrubada do veto dá, aos 17 setores compensados, mais um ano para planejar a retomada econômica pós pandemia. “São 17 setores que estão vinculados a matrizes produtivas e que têm grande incidência de mão de obra. Essa mão de obra acaba trabalhando na ponta, como é o caso do setor calçadista, e a desoneração da folha é importantíssima para manter essas empresas abertas”, disse.</p>
<p><strong>Oposição</strong><br />
A oposição lembrou que foi o governo que impediu a prorrogação da desoneração fiscal aos setores, com o veto à proposta. Para o deputado <a href="https://www.camara.leg.br/deputados/141398" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Carlos Zarattini (PT-SP)</a>, a derrubada do veto significa uma derrota do governo Bolsonaro no Congresso.</p>
<p>O líder do PT, deputado <a href="https://www.camara.leg.br/deputados/132504" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Enio Verri (PT-PR)</a>, aproveitou a votação pra criticar o desempenho econômico durante a gestão atual. “O governo só tem dado péssimos resultados na economia: o investimento direto estrangeiro caiu como nunca visto; o número de trabalhadores de carteira assinada é menor do que em 2012; o povo tem medo do dólar”, criticou.</p>
<p><strong>Participação nos lucros</strong><br />
O Congresso derrubou ainda veto a novas regras sobre participação nos lucros que permitirão às partes negociarem o tema individualmente ou pela comissão paritária de patrões e trabalhadores simultaneamente. Assim, o empregador pode negociar metas e valores com cada empregado em separado e isso prevalecerá sobre a negociação geral.</p>
<p>Para fins de distribuição de lucros, entidades sem fins lucrativos serão equiparadas a empresas se usarem índices de produtividade ou qualidade ou programas de metas, resultados e prazos.</p>
<p>Na negociação, as partes podem estabelecer múltiplos programas de participação nos lucros ou resultados dentro da periodicidade permitida, de duas vezes no ano com intervalo de três meses entre os pagamentos.</p>
<p>Somente serão considerados irregulares os pagamentos que forem excedentes. Assim, no ano civil, o terceiro pagamento seria ilegal ou também o segundo pagamento, se feito com menos de três meses de diferença do primeiro.</p>
<p><iframe title="Congresso derruba veto à desoneração da folha de pagamento - 04/11/20" width="1220" height="686" src="https://www.youtube.com/embed/0odf7FqItCU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Fonte: <a href="https://www.camara.leg.br/noticias/704861-congresso-derruba-veto-a-desoneracao-da-folha-de-17-setores/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agência Câmara de Notícias</a></p>
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		<title>Reforma da Previdência  um novo desafio para o Senado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wilian Sales]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jul 2019 16:45:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reforma da Previdência]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-1-150x150.jpg 150w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-1-85x85.jpg 85w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-1-80x80.jpg 80w" sizes="auto, (max-width:767px) 150px, 150px" /><p>Pela terceira década consecutiva, o Congresso Nacional é chamado a discutir uma ampla reforma na Previdência Social dos brasileiros. O principal motivo que orienta a nova proposta é o mesmo de antes — garantir a sustentabilidade do sistema —, mas especialistas apontam que a necessidade no momento é mais urgente do que nas ocasiões anteriores. Esse desafio de senadores e deputados em busca de um sistema previdenciário sustentável é tema de uma série de reportagens que <b>Agência Senado</b> inicia agora.</p>
<p>Os desembolsos do país com a Previdência já equivalem a 60% do Orçamento, e esse percentual deve se avolumar nos próximos anos, como consequência de uma marcha estatística natural: a expectativa de vida da população tem aumentado, enquanto a taxa de natalidade cai.</p>
<p>É o que explica Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI):</p>
<p>— O país está envelhecendo e as pessoas estão vivendo mais. Isso é algo positivo, mas tem consequências fiscais, porque a população idosa depende do Estado. Como os brasileiros estão tendo cada vez menos filhos, serão menos pessoas contribuindo.</p>
<p>Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o contingente de idosos do país deve triplicar dentro dos próximos 40 anos, enquanto a proporção de trabalhadores para cada aposentado deve cair pela metade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-596 aligncenter" src="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1.jpg" alt="" width="866" height="1050" srcset="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1.jpg 866w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1-247x300.jpg 247w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1-768x931.jpg 768w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1-845x1024.jpg 845w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1-120x146.jpg 120w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1-41x50.jpg 41w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdecia-1-62x75.jpg 62w" sizes="auto, (max-width:767px) 480px, (max-width:866px) 100vw, 866px" /></p>
<p>Devido a essa inversão demográfica já em curso, a arrecadação de contribuições previdenciárias tem consistentemente ficado abaixo do valor dos benefícios concedidos. Tanto o Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que cobre os trabalhadores da iniciativa privada, quanto o Regime Próprio (RPPS), que cobre os servidores públicos, vêm apresentando deficits nos últimos anos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-597" src="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-2.jpg" alt="" width="768" height="461" srcset="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-2.jpg 768w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-2-300x180.jpg 300w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-2-243x146.jpg 243w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-2-50x30.jpg 50w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-2-125x75.jpg 125w" sizes="auto, (max-width:767px) 480px, (max-width:768px) 100vw, 768px" /></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-598" src="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-3.jpeg" alt="" width="768" height="507" srcset="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-3.jpeg 768w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-3-300x198.jpeg 300w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-3-221x146.jpeg 221w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-3-50x33.jpeg 50w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-3-114x75.jpeg 114w" sizes="auto, (max-width:767px) 480px, (max-width:768px) 100vw, 768px" /></p>
<p>As contas negativas da Previdência impactam a dívida pública do país como um todo, que vem se aproximando de 80% do PIB. O consultor legislativo Pedro Fernando Nery explica que o aumento do deficit previdenciário agrava esse quadro porque as aposentadorias são gastos obrigatórios, que o Estado não pode deixar de financiar.</p>
<p>— A despesa tem que ser paga de alguma forma, seja com contribuições previdenciárias, seja com contribuições sociais ou impostos. Ao crescer, ela comprime políticas públicas já subfinanciadas, como o saneamento, a educação, a infraestrutura. O deficit é uma medida desse desequilíbrio: a quantidade de recursos de outras áreas, ou de impostos, que será drenada para pagar benefícios — explicou.</p>
<p>Além da compressão orçamentária, a incerteza quanto à possibilidade de manter o endividamento sob controle encarece a própria administração da dívida, que o Estado faz através da emissão de títulos públicos. Quanto pior a situação fiscal, maior é a taxa de juros que o mercado exige. Mais juros agravam a dívida, e forma-se um círculo vicioso.</p>
<p>— Vários estados já quebraram. A União tem mais ferramentas para não quebrar tão cedo, mas isso implica instabilidade macroeconômica. A desconfiança quanto à solvência do Estado vai continuar inibindo o investimento e o crescimento. O desemprego vai continuar sem cair satisfatoriamente e isso vai se somar ao caos na prestação de serviços públicos — alerta Nery.</p>
<p>Felipe Salto destaca que a reforma da Previdência é uma condição necessária para romper essa tendência, mas não suficiente. Ela dará um impulso inicial, mas precisa ser complementada no futuro com outras medidas.</p>
<p>— Os investidores externos e domésticos estão à espera do milagre da Previdência. Se a gente desata esse nó, o dinheiro vai começar a circular, a economia vai começar a girar de novo. Precisamos passar esse obstáculo, mas a Previdência, sozinha, não resolve o problema — enfatizou.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-599" src="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4.jpg" alt="" width="1521" height="2434" srcset="https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4.jpg 1521w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4-187x300.jpg 187w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4-768x1229.jpg 768w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4-640x1024.jpg 640w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4-91x146.jpg 91w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4-31x50.jpg 31w, https://foursol.com.br/wp-content/uploads/2019/07/previdencia-4-47x75.jpg 47w" sizes="auto, (max-width:767px) 480px, (max-width:1521px) 100vw, 1521px" /></p>
<h3><b>Questionamento</b></h3>
<p>Essa análise do deficit e da necessidade da reforma, porém, tem críticos. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) sustenta que o deficit é resultado de um cálculo das contas da Previdência que interpreta equivocadamente as regras do sistema.</p>
<p>Segundo Floriano Martins Neto, presidente da entidade, o deficit só é verificado quando se analisam unicamente as contribuições e as despesas previdenciárias. No entanto, a Previdência integra o orçamento da Seguridade Social, que também inclui a assistência social a as ações de saúde.</p>
<p>A seguridade social, conforme definida na Constituição, é financiada por outras fontes, incluindo tributos sem destinação específica e dotações da União. O que importa, explica Martins, não é o cálculo da Previdência ser positivo ou negativo, mas sim o cálculo da seguridade como um todo.</p>
<p>— Calculamos dentro da seguridade porque lá temos todas as fontes de financiamento. Fazemos a contabilidade no geral porque a Constituição não mandou segregar. O “deficit” significa que a União aportou a parte dela, que veio do orçamento fiscal.</p>
<p>O consultor Pedro Fernando Nery discorda desse ponto de vista. Para ele, examinar a Previdência à parte das demais áreas da seguridade é necessário para que se perceba que ela está inviabilizando-as.</p>
<p>— Falar que não tem deficit na Previdência porque sempre se pode pegar recursos da seguridade significa exatamente tirar da saúde e da assistência aos miseráveis.</p>
<p>Outro questionamento levantado por Floriano Martins Neto diz respeito às dívidas da Previdência. Para ele, o problema mais urgente para conter o desequilíbrio fiscal da área é melhorar os mecanismos de combate à sonegação e deixar de conceder renúncias fiscais.</p>
<p>Segundo números da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a dívida ativa previdenciária chega a R$ 510,3 bilhões. Martins relata que o índice de recuperação desse valor devido é menor do que 1%, ao mesmo tempo que o governo federal abre mão, via renúncias, de 20% da receita anual via impostos e contribuições socais.</p>
<p>No entanto, a própria PGFN reconhece que a maior parte da dívida previdenciária está fora de alcance. Segundo o órgão, 62% do estoque da dívida tem baixa perspectiva de recuperação, por ser referente a empresas que já faliram ou que não têm patrimônio, por exemplo. Além disso, Felipe Salto, da Instituição Fiscal Independente, observa que, mesmo que fosse possível coletar toda a dívida, o problema não estaria resolvido. Como o deficit é um fenômeno que se repete anualmente, o influxo financeiro seria consumido em alguns anos.</p>
<p>Para Martins, a questão fundamental vai além da dívida atual. Trata-se de aprimorar o dia a dia para que o estoque não continue crescendo com débitos inalcançáveis, e para que o caixa da Previdência não continue sendo recorrentemente desfalcado.</p>
<p>— O estoque, por si só, é uma vergonha, mas não estamos dizendo que precisamos arrecadar tudo. Ele tem que ter um tratamento eficaz. A Receita precisa estar melhor aparelhada para chegar antes da constituição da dívida, identificar antes que a empresa [devedora] feche, por exemplo. O combate tem fins pedagógicos.</p>
<p>O presidente da Anfip cobra do governo e dos parlamentares uma proposta de reforma que pese mais para o lado da receita, atacando a sonegação e também fortalecendo as fontes de financiamento.</p>
<h3><b>Expectativas</b></h3>
<p>O Ministério da Economia espera que a reforma permita um fôlego de R$ 1,2 trilhão nos dez primeiros anos após a sua aprovação. As mudanças sobre o RGPS representariam cerca de 65% desse freio. Segundo a IFI, a aprovação da proposta permitirá a estabilização do gasto previdenciário como fatia do PIB dentro desse período, impedindo que ele cresça ano após ano.</p>
<p>O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), se mostra otimista com o rumo da proposta. Ele admite que o texto será modificado, mas acredita que há um consenso entre os parlamentares e as bancadas de que, sem aprovar alguma versão de reforma neste momento, “o Brasil quebra”.</p>
<p>— Creio que teremos um texto com uma boa reforma do ponto de vista social, regras de transição para ter atenção com os direitos de todos e uma sinalização clara de que as contas públicas vão entrar em equilíbrio.</p>
<p>Já o líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), avalia que existe um problema fiscal a ser abordado, mas aponta para diversos tópicos da reforma proposta pelo governo que são, para ele, proibitivos.</p>
<p>— Não somos contra qualquer tipo de reforma. Compreendemos que há um deficit. Só que a conta desse deficit não pode ser paga pelos mais pobres. Somos contra uma reforma que acaba com o BPC, que restringe a aposentadoria rural, que institui a capitalização. Com esse modelo nós não concordamos.</p>
<p>Segundo Randolfe, seria necessário pensar menos no endurecimento de benefícios e mais na expansão das receitas, principalmente a partir de mudanças no sistema tributário.</p>
<p>Origem: <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/05/03/congresso-volta-a-encarar-desafio-de-mudar-a-previdencia" target="_blank" rel="noopener">Agência Senado</a></p>
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